Isilda Gomes (ex-presidente da Câmara Municipal de Portimão e deputada no PE): “Temos que contar com os órgãos de comunicação locais e regionais, porque são determinantes para o futuro da democracia”

Encontro Nacional 15-16 Março 2025

Por motivos de saúde, Isilda Gomes não conseguiu estar presente no evento e juntou-se à distância, por videochamada

Decorreu, nos dias 15 e 16 de março, no Centro de Juventude de Braga, o Encontro Nacional de Imprensa Local e Regional, Impressa e Digital, que debateu temas como ‘A contribuição para a construção do Portugal democrático’ e ‘A revitalização e sustentabilidade’. Estiveram presentes cerca de 200 representantes da imprensa local e regional, vindos de todos os distritos de Portugal Continental e da Região Autónoma dos Açores.

No segundo painel de domingo, a deputada do Parlamento Europeu pelo PS e ex-presidente da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Gomes, falou sobre o tema ‘O que pensam ex-presidentes de Câmaras Municipais sobre a Comunicação Social Local e Regional’. Por motivos de saúde, a deputada não conseguiu estar presente no Centro de Juventude de Braga e juntou-se à distância, por videochamada.

Fique com algumas das declarações da intervenção da eurodeputada:

 

A importância da imprensa local e regional:

«Fui presidente de Câmara de Portimão até junho do ano passado e havia uma coisa que dizia sempre: aquilo de que não se fala, não existe. Portanto, precisamos imenso dos órgãos de comunicação social e quer queiram, quer não, os órgãos de comunicação social local e regional são aqueles que dão maior visibilidade às ações. São aqueles que, em função da proximidade, conhecem melhor os atores que estão no terreno. Têm credibilidade e dão pluralidade e diversidade à informação. Nunca se falou tanto em comunicação e nos seus perigos, na Europa, como se tem falado agora. Por isso, falar-se dos órgãos de comunicação social local e regional é prioritário. Primeiro, porque todos nós sabemos que a maior parte dos nossos concidadãos vê apenas as redes sociais e a inteligência artificial está a ter um papel que nós nem sabemos como é que isto vai acabar. Temos que ser capazes de selecionar as notícias, o que é verdade do que é mentira, e por isso os órgãos de comunicação local e regional fazem uma falta extraordinária para estarem próximos daquilo que acontece no terreno, porque deixem-me dizer-vos uma coisa: muitas vezes, quando fazia inaugurações de uma coisa importante, quer para Portimão, quer para a região, quer para o país, nunca aparecia nenhum órgão de comunicação social nacional. Mas os órgãos de comunicação social local e regional estavam lá e esses é que nos interessam, porque são aqueles que transmitem informações aos nossos concidadãos de uma forma permanente.»

 

«Quem dá destaque [aos autarcas] são os órgãos de comunicação social e regional, porque não aparece nenhum órgão de comunicação nacional que dê importância àquilo que os autarcas fazem, apesar de serem determinantes. Aliás, um euro atribuído e aplicado pelos autarcas corresponde a três euros aplicados pelo Governo. Naquilo que tenho dito ao nível do PE, sou uma defensora acérrima da descentralização dos apoios e programas, porque não acho e sou contra o facto de os órgãos de comunicação social regional e local terem que andar a pedir aos autarcas para que os autarcas os apoiem. Não deve ser assim, os órgãos devem ter autonomia, devem ter a sua liberdade, devem poder expressar-se da forma que entendem para não serem ligados ao partido A ou ao autarca B.»

 

«Tenho recebido alguns jovens no Parlamento e a verdade é que alguns me perguntam como é que nós sabemos em que partido vamos votar? Ora, obviamente, aquilo que lhes digo é que o que importa é votar, mas votar de forma esclarecida. Mas também aqui os órgãos de comunicação social, local e regional, podem ser uma porta aberta de esclarecimento, de clarificação, podem trazer os autores a dar as suas opiniões dos diversos partidos, para que também os nossos jovens, e os menos jovens também, possam fazer escolhas esclarecidas. De modo que entendo que manter a pluralidade, a diversidade e a clarificação por parte destes órgãos de comunicação social é fundamental para a própria democracia, porque o que nós vemos hoje em dia é uma enorme ameaça à democracia, com todas as fake news que vemos diariamente e que são difíceis de combater. Mas localmente e regionalmente, os nossos jornalistas sabem como é que as coisas se passam e são fundamentais também para fazer essa clarificação e para dar essa pluralidade e diversidade de conhecimentos às pessoas.»

 

«O que me preocupa, e continua a preocupar-me muitíssimo, é que vejo todos os dias nas televisões pessoas a transmitir informações completamente deturpadas. Por isso, temos que contar convosco, com os órgãos de comunicação social local e regional, porque vocês também vão ser determinantes no futuro da democracia. É que é a democracia que temos que defender, não é o A ou o B ou o C, isso não está em causa. O que está em causa é a democracia e o contributo de todos nós para que realmente sejamos capazes de continuar a construir um país mais solidário, mais igual para todos, mais democrata: um país com que sonhámos no 25 de Abril.»

 

Propostas: 

«Devia haver um programa fortemente apoiado pela comunidade europeia e que possa, por exemplo, ser distribuído ao nível das CCDR’s. Temos que aproximar este tipo de apoios das pessoas que carecem deles. Sinceramente, sempre me causou muito constrangimento quando ouvia dizer que um órgão de comunicação social local ou regional estava a passar por dificuldades e corria o perigo de ter que fechar. Aliás, havia um, aqui em Portimão, que há uns anos fechou na versão em papel. Continuo a dizer a toda a gente que gosto muito das versões em papel. Gosto do cheiro do papel, gosto de ir para a frente e para trás e percebo melhor [os conteúdos], se bem que, obviamente, também uso os digitais, porque não tenho outro remédio, e sobretudo agora, estando tão distante. A ANIR tem que continuar a lutar para conquistar uma posição que é sua de direito, porque tem uma posição importantíssima.»

 

A importância da ANIR:

«Tenho que saudar a ANIR e tenho muita pena de não estar aí convosco, porque acho que este é um tema prioritário. E acho que aquilo que vocês estão a fazer neste momento, em Braga, e que não permitirá a toda a gente ter acesso, acho que o deviam também desmultiplicar um pouco pelas regiões.»

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