Inês Sousa Real (PAN): “Nesta nova era da comunicação é fundamental não se perder o património histórico que os órgãos da imprensa local e regional representam”

Encontro Nacional 15-16 Março 2025

Inês Sousa Real, deputada à Assembleia da República pelo PAN

Decorreu, nos dias 15 e 16 de março, no Centro de Juventude de Braga, o Encontro Nacional de Imprensa Local e Regional, Impressa e Digital, que debateu temas como ‘A contribuição para a construção do Portugal democrático’ e ‘A revitalização e sustentabilidade’. Estiveram presentes cerca de 200 representantes da imprensa local e regional, vindos de todos os distritos de Portugal Continental e da Região Autónoma dos Açores.

No primeiro painel de domingo, dia 16 de março, foi dinamizado um debate entre os partidos PSD, PS, PCP, Livre e PAN em torno do tema ‘A visão do Parlamento sobre a Comunicação Social Local e Regional’. No final do debate, moderado por Álvaro Neto, da Gazeta Paços de Ferreira, os representantes de cada partido responderam a perguntas do público, que foram colocadas por escrito.

Fique com algumas das declarações de Inês Sousa Real, deputada à Assembleia da República pelo PAN:

 

O papel da imprensa local e regional na construção da democracia:

«O pensamento político e a liberdade do jornalismo e da imprensa, em particular do poder local e regional, fez-se e construiu-se. O tempo do Estado Novo, em que só existia aquilo que o público sabia que existia, deixou a população mergulhada tantas vezes numa vivência de ilusão, como bem definiu o ensaísta Eduardo Lourenço, que dizia que não vivíamos num país real, mas numa Disneylandia qualquer, sem escândalos, sem suicídios, nem verdadeiros problemas. Ora, isto retrata bem aquilo que é um país onde não existia liberdade de imprensa, [para a qual] os meios locais e regionais vieram a ter um papel absolutamente preponderante para construirmos a democracia e a liberdade como a conhecemos hoje.»

 

«Muito pouco se tem discutido sobre o que é que podemos fazer para ajudar os meios regionais e locais, que são uma força viva das comunidades e que são absolutamente imprescindíveis, porque não nos podemos esquecer que foi precisamente a imprensa nacional e regional que veio a participar de forma muito ativa durante o processo revolucionário de 1974 e 1975, e as redações espelhavam precisamente a agitação que se vivia nas ruas e todo o processo que nos viria a conduzir ao Portugal democrático.»

 

A importância e o papel da imprensa local e regional:

«Sabemos que os órgãos de comunicação social locais têm sido extremamente importantes na coesão territorial e na divulgação de notícias que, de outra forma, iriam cair no esquecimento, ou que nem sequer seriam divulgadas. No entanto, ao longo dos últimos anos, as dificuldades têm sido mais do que sentidas. Se os desafios que se apresentam aos órgãos de comunicação nacionais perante, por exemplo, as grandes forças como a Google e outros meios de difusão de notícias, em que se tem discutido a possibilidade de implementar taxas como a taxa Google para conseguirmos ajudar os órgãos de comunicação, não se tem falado tanto na dimensão regional e local. Nesse sentido, o PAN apresentou uma proposta que foi aprovada no Orçamento de Estado este ano, para garantir que os órgãos de comunicação sociais locais consigam o devido acompanhamento neste processo, de forma a que o seu espólio e conteúdo noticioso seja preservado com a respetiva salvaguarda dos arquivos, porque entendemos que nesta nova era da comunicação é fundamental não se perder o património histórico que forma este património comum do jornalismo e da imprensa, que são os órgãos regionais e locais.»

 

«Temos outros desafios, como a era da desinformação. Sabemos que a desinformação e as fake news, sobretudo a nível global, têm um prejuízo muito sério. E é aqui que entra também o papel do jornalismo local e regional, com um trabalho, muitas vezes, de investigação, de proximidade, que vem fazer o contraponto com estes fenómenos, não apenas em Portugal, mas também a nível global. Não podemos esquecer-nos das condições de grande precariedade em que trabalham quem constrói estes jornais, sejam os jornalistas, sejam as redações, sejam os editores, e esse tem que ser um desafio. Sem dúvida que foi uma oportunidade perdida ao longo deste último ano para conseguirmos debater de uma forma mais séria esta precariedade, mas esperamos que quer na campanha, quer depois numa próxima legislatura, o consigamos fazer.»

 

«É fundamental reconhecermos perante todo este fenómeno global aquela que é a importância dos órgãos regionais e locais, porque são uma força viva da democracia, mas também de informação séria, com credibilidade, e por isso mesmo têm que ser ajudados com todos os instrumentos legais e financeiros que estejam ao alcance dos nossos governantes e também do poder legislativo da Assembleia da República.»

 

 

[15:07–15:22] [16:27–16:38]

 

«Acompanho o trabalho, enquanto dirigente partidária, dos nossos autarcas a nível local, precisamente porque há esse registo, ou seja, o facto de podermos hoje ter acesso a um acervo daquilo que diariamente sai na imprensa no local e regional permite-nos salvaguardar para o futuro essa preservação. Mas para aquilo que é a história do Portugal democrático, era fundamental garantirmos que há esta preservação e que se consegue através de mecanismos, até porque não sabemos, no caso de alguns jornais e das aquisições que foram feitas — e peço desculpa por misturar esta pergunta com algumas das que já foram colocadas — mas quando se fala naquilo que poderia ser feito, em particular na revisão da lei, mas também os poderes da ERC. A regulamentação deveria ser alterada, porque quando falamos na aquisição de um jornal, não estamos, muitas das vezes, a falar apenas da posição que é ocupada no mercado, mas também de todo um património que se pode vir a perder.»

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